Mercados de grãos operam com cautela e volatilidade
Os mercados agrícolas começaram o dia com comportamento irregular, influenciados pela interação entre fatores climáticos, tensões geopolíticas e ajustes técnicos realizados por investidores nas principais bolsas internacionais. Análise da TF Agroeconômica indica que trigo, soja e milho continuam respondendo a um cenário externo marcado por incertezas e pela expectativa em torno dos próximos relatórios oficiais.
No trigo, os contratos negociados em Chicago operam com leve valorização, mantendo-se próximos das máximas do dia, o que sinaliza sustentação positiva no curto prazo. A formação dos preços segue fortemente impactada pelo contexto geopolítico, especialmente pela ausência de avanços nas negociações de paz na região do Mar Negro e pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Rússia, agora ampliadas pela atuação americana na Venezuela. A esse quadro somam-se preocupações climáticas, como a falta de umidade nas áreas de trigo de inverno nos EUA e a ocorrência de uma onda de frio em regiões produtoras da Rússia. No mercado físico brasileiro, os preços registram leves recuos no Paraná e no Rio Grande do Sul.
A soja iniciou o pregão em queda na Bolsa de Chicago, pressionada pela realização de lucros após as recentes altas. O farelo e o óleo também apresentam pequenas baixas, depois dos fortes ganhos da sessão anterior. O mercado segue monitorando o desenvolvimento da safra sul-americana e as condições climáticas nas principais regiões produtoras. A demanda chinesa permanece presente nos Estados Unidos, embora haja incertezas quanto à sua intensidade com a entrada da nova safra brasileira. O reposicionamento dos investidores no início do ano, a expectativa pelo próximo relatório de oferta e demanda do USDA e os desdobramentos geopolíticos mantêm a volatilidade elevada, reforçada ainda pela recuperação dos preços do petróleo.
No milho, as cotações em Chicago apresentam leve recuo, com fundos realizando parte dos ganhos acumulados na semana e produtores intensificando as vendas. Apesar disso, as quedas encontram suporte no ritmo firme das exportações norte-americanas e na possibilidade de revisão para baixo dos estoques finais no próximo relatório do USDA. No mercado interno, os preços seguem passando por ajustes moderados.
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